Zheng Shi – a verdadeira Rainha Pirata

4 set

Hey Pessoal!

Hoje eu estou muito feliz em trazer para vocês a história da verdadeira Rainha Pirata da História!

Sorry Vogue…. Zheng Shi is our Queen!

Não, não é a Keira Knightley e nem a personagem Elizabeth Swan de Piratas do Caribe. MAS, antes de entrar na tradução do texto da Kallie Szczepanski, eu estava reparando que no filme Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo, há uma personagem inspirada na pirata de que vamos falar hoje.

Repare bem na única mulher dentre os Senhores Piratas…

Perceberam que a única mulher é uma senhora oriental? Então! Achei bem legal essa homenagem ao personagem histórico (acho q vou pesquisar sobre os outros também!). E se você ainda não acreditam, vejam esse vídeo antes de ler o texto:

Zheng Shi, a Senhora Pirata da China

O pirata mais bem sucedido da história não foi Barba Negra (Edward Teach) ou Barba Ruiva (Barbarossa), mas sim Zheng Shi ou Ching Shih da China. Ela adquiriu grande fortuna, governou os mares do Sul da China e, o melhor de tudo, sobreviveu para aproveitar os espólios.

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Não se sabe praticamente nada sobre o começo da vida de Zheng Shi (antes da pirataria). Na verdade “Zheng Shi” significa “Viúva Zheng” – não se sabe seu nome de solteira. Provavelmente ela nasceu em 1875 (não seria 1785?), mas outros detalhes de sua infância estão perdidos para a história.

O Casamento de Zheng Shi

 Sua primeira aparição na história data de 1801. A bela jovem trabalhava como prostituta em um bordel de Cantão quando foi capturada por piratas.  Zheng Yi, um famoso almirante de frota pirata, reclamou a cativa como sua esposa. Ela  habilmente concordou com o casamento desde que certas condições fossem aceitas. Ela teria uma parte igual na liderança da frota, e metade da parque do almirante no saque seria dela. Zheng Shi deveria ser extremamente bela e persuasiva, pois Zheng Yi concordou com esses termos.

Nos próximos seis anos, os Zhengs contruíram uma poderosa coalisão entre as frotas piratas cantonesas. A força conjunta consistia de seis frotas de bandeiras indentificadas por cores, sendo a deles a “Frota Vermelha” na liderança. As frotas subsidiária incluíam as cores Preta, Branca, Azul, Amarelo e Verde (gente isso foi muito power rangers).

Em Abril de 1804, os Zhengs instituíram um bloqueio ao porto comercial português de Macau. Portugal enviou um esquadrão de batalha contra a armada pirata, mas os Zhengs prontamente derrotaram os portugueses. A Grã-Bretanha interveio, mas não ousou enfrentar os piratas diretamente – a Marinha Real Inglesa simplesmente começou a prover escolta naval para navios britânicos e aliados na área.

ilustração de Zheng Chi de 1836, via wikipedia

Em 16 de Novembro  de 1807, Zheng Yi morreu no Vietnam, em meio a Rebelião Tay Son. Até o momento de sua morte, sua frota é estimada em ter incluído de 400 a 1200 navios e , dependendo da fonte, de 50 a 70 mil piratas.

Assim que seu marido morreu, Zheng Shi começou a cobrar favores e consolidar sua posição como cabeça da coalisão pirata. Ela foi capaz, através de perspicácia política e força de vontade, de fazer toda a frota do marido jurar-lhe fidelidade. Juntos eles controlavam todas as rotas comerciais e direitos de pesca na costa de Guangdong, China e Vietnam.

Zheng Shi era tão implacável com seus próprios homens quanto com seus cativos. Ela instituiu um rigoroso código de conduta, e estritamente aplicadas. Todos os bens e dinheiro tomado em saques eram apresentados a frota e catálogados antes de serem redistribuídos. O navio que realizou o roubo recebiam 20% do saque, o resto ia para um fundo coletivo para a frota inteira. Qualquer um que detivesse o espólio para si enfrentaria surra de chicote; reincidentes ou aqueles que roubarem grandes somas seriam decapitados.

implacável no carão!

Como ela mesma já tinha sido uma cativa, Zheng Shi também possuía regras estritas sobre o tratamento das prisioneiras. Os piratas podiam tomar as cativas belas como esposas ou concubinas, mas teriam que permanecer fiéis e cuidar delas – maridos infiéis seriam decapitados. Da mesma forma , qualquer pirata que estuprasse uma cativa seria executado. Mulheres feias seriam libertas incólumes e com passe livre na costa.

Piratas que desertassem seriam perseguidos, e se encontrados, teriam suas orelhas cortadas. O mesmo destinio aguardava aqueles que estivessem ausentes de seus postos, e os culpados desorelhados desfilariam então perante toda a esquadra. Usando este código de conduta, Zheng Shi construiu um império pirata no mar do Sul da China sem igual em amplitude, terror, espírito de comunidade e riqueza.

Em 1806, a Dinastia Qing decidiu fazer algo sobre Zheng Shi e seu império pirata. Eles enviaram uma armada para lutar contra os piratas, mas os navios de Zheng Shi rapidamente afundaram 63 dos navios de guerra do governo. Tanto a Grã-Bretanha quanto Portugal se negaram a intervir diretamente contra o “Terror do Mar Sul da China”. Zheng Shi humilhou as marinhas de três potências dos mundo.

savy!

Desesperado para acabar com o reinado de Zheng Shi – ela estava inclusive coletando impostos das vilas costeiras no lugar do governo – o Imperador Qing decidiu em 1810 oferecer uma acorod de anistia. Zheng Shi poderia ficar com sua fortuna e uma pequena frota de navios. Dentre os seus 10 mil piratas apenas 200-300 dos piores criminosos foram punidos pelo governo, enquanto o resto saiu livre. Alguns até entraram para a marinha Qing, ironicamente viraram caçadores de piratas para o trono.

A própria Zheng Shi se aposentou e abriu uma casa de jogos. Ela morreu em 1844 com respeitáveis 69 anos, um dos únicos senhores piratas na história a morrer numa idade avançada.

texto original por Kallie Szczepanski
Os riscos em vermelho são os meus comentários imbecis não liguem.

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Melisende, a Rainha de Jerusalém

15 ago

Oi Pessoal! Tudo bem?
Semana retrasada passada eu estava procurando o que traduzir para vocês (tentando sair um pouco da vibe nipônica) quando topei com uma rainha de Jerusalem chamada Melisandre Melisende:

via wikipedia

Ela se chama Melisandre Melisende e foi Rainha de Jerusalém de 1131 a 1153 d.C.; filha do monarca do Reino Franco de Jerusalém e sua esposa armena, ela  foi um personagem importante na história feminina e de Jerusalém. Durante seu reinado, os cruzados cristão haviam arrancado Jerusalem das mãos dos mulçumanos em 1099 (Segunda Cruzada).

Curiosamente eu a achei particularmente parecida com a sacerdotisa vermelha de Game of Thrones.

né?

Melisende começou seu reinado em conjunto com o pai no fim da vida deste. Em 1129 ela se casou com Fulque V d’Anjou. Em 1131, eles se tornaram governantes conjuntos de Jerusalém, apesar de Fulque excluir Melisende e efetivamente ignorá-la. Em meados da década de 1130 isto mudou. Rumores de que Melisende teve um caso com o maio rival de Fulque, o rebelde Hugo II. Fulque decidiu acreditar nos rumores e provocou uma guerra contra Melisende e seus seguidores. Contudo, as forças da rainha prevaleceram, e sua sorte mudou. Ela insistiu em fortes termos de paz, que incluíam sua admissão no conselho do reino. Ela ainda obteve liberdade para promover a arte e fundar uma grande abadia. Portanto, escreveu o historiador Willian de Tyre, Fulque “nunca começava nada, nem os pequenos assuntos, sem o conhecimento dela”.

Casamento de Melisende com Fulque V de Anjou , via Wikipedia

Após a morte de Fulque, Melisende se tornou regente por seu filho de 13 anos, Balduíno.

Durante esse tempo, no entanto, ela obteve o gosto real do poder e ficou determinada a se agarrar a ele. 1145 foi o ano em que Balduíno celebraria a sua maioridade. Melisende ignorou a data, retirando o filho de todo lugar de influência, omitindo seu nome de atos públicos. Balduíno aguentou as ações da mãe até 1152. Reclamando à Alta Corte do reino que sua mãe não o deixava governar, ele exigiu que o reino fosse dividido entre mãe e filho. E foi o que aconteceu. Melisende governou a Judaea e Samaria e Balduíno o norte.

Selo de Balduíno III de Jerusalém, via Wikipedia

A divisão não durou muito. Enquanto os apoiadores de Melisende exigiram dos Francos que levassem em conta sua administração eficiente e habilidade para governar, era Balduíno quem possuía o direito de governar. Este motivo por si só foi o suficiente para ganhar apoio a sua causa. Após uma breve campanha militar contra sua mãe, ele conseguiu superar o exército desta. Sua última resistência foi nos confins da Torre de David em Jerusalém.

Apesar dos desentendimentos anteriores, mãe e filho se reconciliaram, e ela permaneceu como uma de seus principais conselheiros até a morte.

Túmulo de Melisende, ao lado do suposto túmulo da Virgem Maria no Santuário de Nossa Senhora de Josafat, Vale do Cédron, Jerusalém, via Wikipedia

Essas rivalidades acabaram por trazer grande prejuízo do Reino Cruzado de Jerusalém.  Os muçulmanos tomaram grandes porções do território cruzado durante o período tumultuado do reinado de Melisende. Como resultado, Jerusalém nunca mais deixou uma mulher reinar novamente bando de recalcados. Quando em 1186 uma mulher realmente herdou a coroa, seu marido foi efetivamente elevado a governante em seu lugar.

Claro, as rivalidades entre Melisende, seu marido e filho não foram as únicas razões pelas quais os cristãos tiveram problemas em segurar Jerusalém. Seus próprios arquivos podem revelar outras fraqueza dentro e fora do Reino.

Texto original: Women in History
Algumas informações eu acabei pegando da Wikipedia, por estarem um pouco confusas no texto

P.s.: os riscos são comentários cretinos meus, não julguem minha tradução por conta deles!

Beleza na Era Heian

17 jul

Nos últimos posts eu falei bastantes sobre mulheres japonesas e seus papéis na sociedade nipônica ao longo da história. Um período que se repetiu tanto no post sobre Geishas quanto nos outros foi o período Heian, que pelo que entendi foi um espécie de Era Clássica no Japão.

A seguir são dois textos traduzidos da historiadora Kallie Szczepanski. Eu editei eles para que ficassem mais fluido e coerente com o português, os links para os textos originais estarão ao final de cada texto.

P.s.: Os riscados em vermelhos são comentário meus que eu não pude deixar de notar.

A Era Heian

A palavra Heian (“hey-ahn”) pode ser traduzida como “paz e tranquilidade”.

Foi uma espécie de era clássica tardia na história do Japão entre 794 d.C e 1185 d.C. Começou logo após o fim do período Nara, e acabou com a Guerra Genpei. Durante a Era Heian, a cultura japonesa começou a se distinguir da chinesa. Este período é conhecido pelo florescimento da poesia e da literatura no Japão.

Heian-era beauties of Japan, from an illustrated scroll of the 12th century Tale of Genji. Public domain due to age, via Wikipedia

Curiosidade: O primeiro romance do mundo, “O Conto de Genji”, foi escrito por uma nobre chamada Murasaki Shikibu durante o ápice da Era Heian.

Outra inovação da Era Heian foi o surgimento de uma nova classe de guerreiros – os samurais – que permaneceram no poder até a Restauração Meiji em 1868.

Texto Original em Inglês

O Padrão de Beleza Feminino na Era Heian

Diferentes culturas variam com relação ao padrão de beleza feminino. Algumas sociedades exaltam lábios esticados, ou tatuagens faciais, ou anéis em volta de um pescoço alongado.

No Japão da Era Heian, uma mulher bela tinha que ter um cabelo incrivelmente longo, camadas e camadas de robes de seda, e uma rotina de maquiagem intrigante.

O Cabelo da Era Heian

As mulheres da corte imperial no Japão Heian mantinham seus cabelos o mais longo possível. Usavam-no lisos e soltos (ou semi-presos) nas costas, como um tecido brilhante de madeixas negras. (chamado Kurokami)

Floor-length hair was a mark of beauty for court ladies in Heian Japan. Library of Congress Prints and Photos Collection

Este estilo começou como uma reação contra a importação da moda Chinesa, em que os cabelos eram mais curtos e presos em rabos de cavalo ou em coques.

O recorde entre as cabeludas Heian, de acordo com a tradição, era de uma mulher com 7 metros de comprimento capilar.

Beleza e Maquiagem

A típica beleza Heian requeria lábios carnudos, olhos puxados, um nariz fino e maçãs do rosto redondas.

A Noh theater mask shows the beauty standards of Heian Japan – black teeth and high painted eyebrows. ilovetypography.com at Flickr.com

As mulheres usavam pó de arroz grosso para pintar suas faces e pescoço de branco. Elas também desenhavam pequenos lábios vermelhos sobre suas linhas labiais naturais.*É dessa época a maquiagem de Geisha que conhecemos hoje!

Em uma moda que parece muito esquisita para o gosto moderno, a japonesas aristocratas desta época raspavam suas sobrancelhas e  então, pintavam novas sobrancelhas com efeito enevoado no alto da testa, próximas a linha onde começa o cabelo. *É esquisito para a gente, mas raspar as sobrancelhas era um costume comum na renascença!

Elas conseguiam este efeito ao mergulhar o polegar em pó negro, e depois borrando-os em suas testas.

Outra característica que não acharíamos nada atraente agora era o costume de dentes negros. Por esbranquiçarem a pele, os dentes em sua coloração natural pareciam amarelados.

Por isso, as mulheres da Era Heian pintavam seus dentes de preto. Dente negros supostamente eram mais atraentes que os amarelos, além de combinar com os cabelos negros.

* Eu conversei com a Lia uma vez e ela me contou que no Japão é feio mostrar os dentes, pode ser que venha daí esse costume.

Pilhas de Seda

O aspecto final da beleza da Era Heian eram as várias camadas de robes de seda.

Este estilo de vestimenta era chamado ni-hito, ou doze camadas, mas algumas mulheres da alta classe usavam até 40 camadas de seda.

Japanese court beauties like Iwai Shijaku wore up to 12 layers of silk robes, and shaved their eyebrows. Library of Congress Prints and Photos Collection

A camada mais perto do corpo era geralmente branca, às vezes vermelha. Esta peça era um robe na altura do calcanhar chamado kosode; visível apenas na linha do pescoço.

A seguir vinha o nagabakama, uma saia partida que era amarrada na cintura e lembrava calças vermelhas. Um nagabakama formal podia incluir um cortejo (???) de mais de um pé de comprimento.

A primeira camada que podia ser vista era o hitoe, um robe colorido sem estampa. Por cima deste, as mulheres usavam entre 10 e 40 camadas de robes chamadas uchigi com lindas estampas, muitas das quais eram adornadas com brocado ou pintadas com paisagens.

A camada do topo de chamava uwagi, e era feita da mais macia e bela seda. Geralmente possuía elaboradas decorações tecidas ou pintadas.

Uma peça final de seda completava o look para as classes mais altas ou ocasiões mais formais; uma espécie de avental usado na parte de trás chamado mo.

Deveria levar horas para essas nobres se aprontarem para serem vistas na corte todos os dias. Pobres das servas, que faziam uma versão simplificadas da mesma rotina antes, e depois ajudavam suas senhoras com toda a preparação necessária de uma bela japonesa da Era Heian.

Texto Original em Inglês

Mulheres Samurai – parte IV: Guerra Boshin

10 jul

A Guerra Genpei sem dúvida inspirou muitas mulheres a se juntar aos homens no fronte de batalha. Outra guerra que inspirou igualmente as japonesas foi a Guerra Boshin (1868-69) pela centralização do poder no Imperador – que ironicamente acabou com a classe samurai.

Texto original de Kallie Szczepanski

A Guerra Boshin foi outra guerra civil, entre o governantes do xogunato Tokugawa contra aqueles que queriam o retorno do poder político para o Imperador. O jovem Imperador Meiji tinha o suporte dos poderosos clãs Choshu e Satsuma, que possuíam menos tropas que o Xogum, mas armas mais modernas.

Após um longo mês de cerco, a região de Aizu se rendeu. Seus samurais foram enviados para prisões de guerra, e o domínio da região foi dividido e redistribuído entre os monarquistas.

Yamakawa Futaba, 1844-1909

Yamakawa Futaba (1844-1909), que defendeu o Castelo Tsuruga na Guerra Boshin (1868-69). via Wikipedia.

Como filha e esposa de oficiais de Aizu, Yamakawa Futaba foi treinada para lutar. Ela participou da defesa do Castelo Tsuruga contra as forças do Imperador. Quando as defesas do castelo foram quebradas, a maioria dos defensores cometeu seppuku.

Yamakawa Futaba sobreviveu, e continuou a liderar um movimento por melhorias na educação para mulheres e garotas no Japão.

Yamamoto Yaeko, 1845-1932

Yamamoto Yaeko (1845-1942), lutou como atiradora na defesa de Aizu na Guerra Boshin (1868-9). via Wikipedia

Outra samurai defensora da região de Aizu foi Yamamoto Yaeko (1845-1932). Seu pai era um instrutor de artilharia para o daimyo de Aizu, e a jovem Yaeko foi uma habilidosa atiradora.

 Após a derrota do xogunato em 1869, Yamamoto Yaeko se mudou para Kyoto para procurar o irmão, Yamamoto Kakuma. Ele foi levado como prisioneiro pelo clã Satsuma no final da guerra Boshin, e provavelmente teve um tratamento duro nas mãos destes.

Yaeko logo se converteu ao Cristianismo e casou-se com um pastor. Ela viveu até uma idade avançada e ajudou na fundação da Universidade Doshisha, uma escola Cristã em Kyoto.

Nakano Takeko, 1847-1868

Nakano Takeko (1847-1868), líder do corpo feminino de guerreiras durante a Guerra Boshin(1868-69). via Wikipedia.

A Terceira Defensora de Aizu foi Nakano Takeko (1847-1868), filha de outro oficial de Aizu. Ela treinou artes marciais, e trabalhou como instrutora até o fim da adolescência.

Durante a Batalha de Aizu, Nakano Takeko liderou um corpo de samurais mulheres contra as forças do Imperador, ela lutou com uma naginata, a arma tradicional das guerreiras japonesas.

Takeko estava liderando um assalto contra as tropas imperiais quando levou uma bala no peito. Sabendo que iria morrer, a guerreira de 21 anos ordenou que sua irmã Yuko que cortasse sua cabeça e a salvasse do inimigo. Yuko fez o que foi lhe pedido, e a cabeça de Nakano Takeko foi enterrada embaixo de uma árvore no Templo Hokaiji.

A Restauração Meiji de 1868 que resultou no triunfo do Imperador na Guerra Boshin marcou o fim da era samurai. Mesmo assim, no fim, mulheres samurai como Nakano Takeko lutaram, ganharam e morreram tão bravamente quanto seus companheiros de luta.

Luna Lee

9 jul

Oi pessoal!

Esse domingo eu estava muito marota fuçando no facebook do IdeaFixa, quando me deparei com uma versão coreana  e feminina de Jimi Hendrix!

Luna Lee toca o Gayageum (ou Kayagum) de forma inusitada de uma forma que preenche a alma e o espírito. É impressionante como o instrumento coreano foi bem adaptado as músicas ocidentais e modernas de forma tão natural.

Para quem não sabe (ou não pesquisou na wikipedia) o Gayageum é um instrumento tradicional coreano de 12 cordas pertencente a família das cítaras.  Hoje se fazem gayageum de 21 cordas (como o de Luna). No oriente existem muitos instrumentos similares como o koto japonês (tocado pelas Geishas) e o guzheng da China.

Num resumo bem básico do que eu li sobre o instrumento, ele vem da Era dos Três Reinos da Coréia por volta do Século VI pelo Rei Gashil – que mandou um músico chamado Wu Ruk compor uma música num antigo instrumento chinês. Durante a Dinastia Shilla,  Wu Ruk desenvolveu o instrumento chamado Gayageum.

Clique aqui se você quer saber mais sobre cítaras e harpas.

E para finalizar a segunda música que eu mais gostei tocada pela Luna (a primeira foi Voodoo Chile): Mary had a little lamb!

Mulheres Samurai – parte III: Hangaku Gozen

5 jul

Continuando a série sobre mulheres samurai, hoje vamos falar de Hangaku Gozen (lembrando que gozen significa “senhora” ou “lady”)

Texto original de Kallie Szczepanski, historiadora pela Western Washington University.

Hangaku Gozen, uma mulher samurai contemporânea da Guerra Genpei, aliada do clã Taira, c. 1200. Library of Congress Prints Collection.

Outra guerreira famosa da Guerra Genpei foi Hangaku Gozen, também conhecida como Itagaki. Ela era aliada do clan Taira, que perdeu a guerra.

 Mais tarde, Hangaku Gozen e seu sobrinho, Ju Sukemori, se uniram a Revolta Kennin de 1201, a qual tentou derrubar o novo xogunato Kamakura (formado pelo clã Minamoto, os rivais do clã Taira). Ela formou um exército e liderou esta força de 3000 soldados na defesa do Forte Torisakayama contra o ataque dos leias aos Kamakura que tinham 10.000 soldados ou mais.

O exército de Hagaku se rendeu após ela ser ferida por uma flecha; ela foi capturada e levada ao Xogum como uma prisioneira. Apesar do Xogum poder ter ordenado que ela cometesse seppuku, um dos soldados de Minamoto se apaixonou pela prisioneira, e ele teve permissão para casar-se com ela.

A samurai e seu marido, Asari Yohito, tiveram pelo menos uma filha.

No próximo post (e última parte) falaremos de 3 mulheres samurais da Guerra Boshin: Yamakawa Futawa, Yamamoto Yaeko,  e Nakano Takeko.

Parte I – Imperatriz Jingu
Parte II – Tomoe Gozen

Mulheres Samurai – parte II: Tomoe Gozen

4 jul

Tomoe Gozen, c. 1157–1247, uma samurai da época da Guerra Genpei, com sua naginata (alabarda de ponta curvada) encostada. Library of Congress Prints Collection

Durante a Guerra Genpei (1180-1185), uma bela jovem chamada Tomoe Gozen lutou ao lado de seu daimyou (e possivelmente seu marido), Minamoto no Yoshinaka, contra as forças do primo dele, Minamoto no Yoritomo.

Tomoe Gozen (gozen é um título que siginifica “lady” / “senhora”) foi uma famosa espadachim, ótima cavaleira e arqueira soberba. Ela foi a primeira captã de Minamoto, e tomou a cabeça de pelo menos um inimigo durante a Batalha de Awazu em 1184.

A Guerra Genpei

No fim da era Heian, a guerra Genpei foi um conflito civil entre dois clans samurai, os Minamoto e os Taira. Ambas as famílias queriam o controle do xogunato. No fim, o clan Minamoto prevaleceu e estabeleceu o xugunato Kamakura em 1192.

Os Minamotos não só lutaram contra os Taira. Como mencionado anteriormente, diferentes lordes Minamoto lutaram entre si. Infelizmente para Tomoe Gozen, Minamoto no Yoshinaka morreu na Batalha de Awazu. O primo dele, Minamoto no Yoritomo, se tornou xogum.

Os relatos variam quanto ao destino de Tomoe Gozen. Alguns dizem que ela ficou na luta e morreu. Outros que ela saiu cavalgando da batalha, carregando a cabeça de um inimigo e desapareceu. Há ainda outros que afirmam que ela casou com Wada Yoshimori, e virou sacerdotisa após a morte deste.

O retrato de Tomoe Gozen

A história de Tomoe Gozen inspirou muitos artistas e escritores por séculos.

Um ator interpretando a mais famosa mulher samurai do Japão, Tomoe Gozen. Library of Congress Prints Collection

A imagem acima mostra um ator em uma peça de teatro kabuki de meados do século XIX retratando a famosa mulher samurai. Seu nome e imagem também brilho em um drama chamado Yoshitsune do canal japonês NHK, bem como histórias em quadrinhos, romances, animes e jogos de video game.

Felizmente para nós, ela também inspirou um grande número de xilógrafos japoneses. Por nenhuma imagem contemporânea dela existir, os artistas foram livre pra interpretar as feições dela. A única descrição dela de que se tem conhecimento, do Contos do Heike, afirma que ela era bela, “com pele branca, cabelos longos e feições encantadoras”.

A mulher samurai Tomoe Gozen desarma um guerreiro. Library of Congress Prints Collection

Esta belíssima descrição de Tomoe Gozen a mostra quase como uma deusa, com seu longo cabelo e tecidos de ceda flutuando atrás dela. Ela possui as sobrancelhas tradicionais da mulher da era Heian – as sobrancelhas naturais foram raspadas, e outras mais grossas foram pintadas no alto da testa, perto de onde começa o cabelo.

Aqui, Tomoe Gozen está tomando o sabre longo (katana) de seu oponente, que caiu no chão. Ela segura o braço esquerdo dele firmemente e pode tomar sua cabeça também.

Tomoe Gozen, c. 1157–1247, tocando o koto (topo) e cavalgando para a guerra (abaixo). Library of Congress Prints Collection

Esta impressão intrigante de 1888 mostra Tomoe Gozen no painel de cima num papel tradicional feminino; ela está sentada no chão, seu longo cabelo solto, tocando o koto. No painel abaixo, no entanto, ela possui o cabelo alto em um poderoso coque, ela trocou sedas por armadura, e empunha uma naginata ao invés do koto.

Em ambos os painéis, cavaleiros enigmático aparecem ao fundo. Não está claro se eles são aliados ou inimigos, mas em ambos os casos ela está olhando por sobre o ombro para eles.

Textos originais de Kallie Szczepanski.

Parte I – Imperatriz Jingu