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Zheng Shi – a verdadeira Rainha Pirata

4 set

Hey Pessoal!

Hoje eu estou muito feliz em trazer para vocês a história da verdadeira Rainha Pirata da História!

Sorry Vogue…. Zheng Shi is our Queen!

Não, não é a Keira Knightley e nem a personagem Elizabeth Swan de Piratas do Caribe. MAS, antes de entrar na tradução do texto da Kallie Szczepanski, eu estava reparando que no filme Piratas do Caribe 3 – No Fim do Mundo, há uma personagem inspirada na pirata de que vamos falar hoje.

Repare bem na única mulher dentre os Senhores Piratas…

Perceberam que a única mulher é uma senhora oriental? Então! Achei bem legal essa homenagem ao personagem histórico (acho q vou pesquisar sobre os outros também!). E se você ainda não acreditam, vejam esse vídeo antes de ler o texto:

Zheng Shi, a Senhora Pirata da China

O pirata mais bem sucedido da história não foi Barba Negra (Edward Teach) ou Barba Ruiva (Barbarossa), mas sim Zheng Shi ou Ching Shih da China. Ela adquiriu grande fortuna, governou os mares do Sul da China e, o melhor de tudo, sobreviveu para aproveitar os espólios.

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Não se sabe praticamente nada sobre o começo da vida de Zheng Shi (antes da pirataria). Na verdade “Zheng Shi” significa “Viúva Zheng” – não se sabe seu nome de solteira. Provavelmente ela nasceu em 1875 (não seria 1785?), mas outros detalhes de sua infância estão perdidos para a história.

O Casamento de Zheng Shi

 Sua primeira aparição na história data de 1801. A bela jovem trabalhava como prostituta em um bordel de Cantão quando foi capturada por piratas.  Zheng Yi, um famoso almirante de frota pirata, reclamou a cativa como sua esposa. Ela  habilmente concordou com o casamento desde que certas condições fossem aceitas. Ela teria uma parte igual na liderança da frota, e metade da parque do almirante no saque seria dela. Zheng Shi deveria ser extremamente bela e persuasiva, pois Zheng Yi concordou com esses termos.

Nos próximos seis anos, os Zhengs contruíram uma poderosa coalisão entre as frotas piratas cantonesas. A força conjunta consistia de seis frotas de bandeiras indentificadas por cores, sendo a deles a “Frota Vermelha” na liderança. As frotas subsidiária incluíam as cores Preta, Branca, Azul, Amarelo e Verde (gente isso foi muito power rangers).

Em Abril de 1804, os Zhengs instituíram um bloqueio ao porto comercial português de Macau. Portugal enviou um esquadrão de batalha contra a armada pirata, mas os Zhengs prontamente derrotaram os portugueses. A Grã-Bretanha interveio, mas não ousou enfrentar os piratas diretamente – a Marinha Real Inglesa simplesmente começou a prover escolta naval para navios britânicos e aliados na área.

ilustração de Zheng Chi de 1836, via wikipedia

Em 16 de Novembro  de 1807, Zheng Yi morreu no Vietnam, em meio a Rebelião Tay Son. Até o momento de sua morte, sua frota é estimada em ter incluído de 400 a 1200 navios e , dependendo da fonte, de 50 a 70 mil piratas.

Assim que seu marido morreu, Zheng Shi começou a cobrar favores e consolidar sua posição como cabeça da coalisão pirata. Ela foi capaz, através de perspicácia política e força de vontade, de fazer toda a frota do marido jurar-lhe fidelidade. Juntos eles controlavam todas as rotas comerciais e direitos de pesca na costa de Guangdong, China e Vietnam.

Zheng Shi era tão implacável com seus próprios homens quanto com seus cativos. Ela instituiu um rigoroso código de conduta, e estritamente aplicadas. Todos os bens e dinheiro tomado em saques eram apresentados a frota e catálogados antes de serem redistribuídos. O navio que realizou o roubo recebiam 20% do saque, o resto ia para um fundo coletivo para a frota inteira. Qualquer um que detivesse o espólio para si enfrentaria surra de chicote; reincidentes ou aqueles que roubarem grandes somas seriam decapitados.

implacável no carão!

Como ela mesma já tinha sido uma cativa, Zheng Shi também possuía regras estritas sobre o tratamento das prisioneiras. Os piratas podiam tomar as cativas belas como esposas ou concubinas, mas teriam que permanecer fiéis e cuidar delas – maridos infiéis seriam decapitados. Da mesma forma , qualquer pirata que estuprasse uma cativa seria executado. Mulheres feias seriam libertas incólumes e com passe livre na costa.

Piratas que desertassem seriam perseguidos, e se encontrados, teriam suas orelhas cortadas. O mesmo destinio aguardava aqueles que estivessem ausentes de seus postos, e os culpados desorelhados desfilariam então perante toda a esquadra. Usando este código de conduta, Zheng Shi construiu um império pirata no mar do Sul da China sem igual em amplitude, terror, espírito de comunidade e riqueza.

Em 1806, a Dinastia Qing decidiu fazer algo sobre Zheng Shi e seu império pirata. Eles enviaram uma armada para lutar contra os piratas, mas os navios de Zheng Shi rapidamente afundaram 63 dos navios de guerra do governo. Tanto a Grã-Bretanha quanto Portugal se negaram a intervir diretamente contra o “Terror do Mar Sul da China”. Zheng Shi humilhou as marinhas de três potências dos mundo.

savy!

Desesperado para acabar com o reinado de Zheng Shi – ela estava inclusive coletando impostos das vilas costeiras no lugar do governo – o Imperador Qing decidiu em 1810 oferecer uma acorod de anistia. Zheng Shi poderia ficar com sua fortuna e uma pequena frota de navios. Dentre os seus 10 mil piratas apenas 200-300 dos piores criminosos foram punidos pelo governo, enquanto o resto saiu livre. Alguns até entraram para a marinha Qing, ironicamente viraram caçadores de piratas para o trono.

A própria Zheng Shi se aposentou e abriu uma casa de jogos. Ela morreu em 1844 com respeitáveis 69 anos, um dos únicos senhores piratas na história a morrer numa idade avançada.

texto original por Kallie Szczepanski
Os riscos em vermelho são os meus comentários imbecis não liguem.

Beleza na Era Heian

17 jul

Nos últimos posts eu falei bastantes sobre mulheres japonesas e seus papéis na sociedade nipônica ao longo da história. Um período que se repetiu tanto no post sobre Geishas quanto nos outros foi o período Heian, que pelo que entendi foi um espécie de Era Clássica no Japão.

A seguir são dois textos traduzidos da historiadora Kallie Szczepanski. Eu editei eles para que ficassem mais fluido e coerente com o português, os links para os textos originais estarão ao final de cada texto.

P.s.: Os riscados em vermelhos são comentário meus que eu não pude deixar de notar.

A Era Heian

A palavra Heian (“hey-ahn”) pode ser traduzida como “paz e tranquilidade”.

Foi uma espécie de era clássica tardia na história do Japão entre 794 d.C e 1185 d.C. Começou logo após o fim do período Nara, e acabou com a Guerra Genpei. Durante a Era Heian, a cultura japonesa começou a se distinguir da chinesa. Este período é conhecido pelo florescimento da poesia e da literatura no Japão.

Heian-era beauties of Japan, from an illustrated scroll of the 12th century Tale of Genji. Public domain due to age, via Wikipedia

Curiosidade: O primeiro romance do mundo, “O Conto de Genji”, foi escrito por uma nobre chamada Murasaki Shikibu durante o ápice da Era Heian.

Outra inovação da Era Heian foi o surgimento de uma nova classe de guerreiros – os samurais – que permaneceram no poder até a Restauração Meiji em 1868.

Texto Original em Inglês

O Padrão de Beleza Feminino na Era Heian

Diferentes culturas variam com relação ao padrão de beleza feminino. Algumas sociedades exaltam lábios esticados, ou tatuagens faciais, ou anéis em volta de um pescoço alongado.

No Japão da Era Heian, uma mulher bela tinha que ter um cabelo incrivelmente longo, camadas e camadas de robes de seda, e uma rotina de maquiagem intrigante.

O Cabelo da Era Heian

As mulheres da corte imperial no Japão Heian mantinham seus cabelos o mais longo possível. Usavam-no lisos e soltos (ou semi-presos) nas costas, como um tecido brilhante de madeixas negras. (chamado Kurokami)

Floor-length hair was a mark of beauty for court ladies in Heian Japan. Library of Congress Prints and Photos Collection

Este estilo começou como uma reação contra a importação da moda Chinesa, em que os cabelos eram mais curtos e presos em rabos de cavalo ou em coques.

O recorde entre as cabeludas Heian, de acordo com a tradição, era de uma mulher com 7 metros de comprimento capilar.

Beleza e Maquiagem

A típica beleza Heian requeria lábios carnudos, olhos puxados, um nariz fino e maçãs do rosto redondas.

A Noh theater mask shows the beauty standards of Heian Japan – black teeth and high painted eyebrows. ilovetypography.com at Flickr.com

As mulheres usavam pó de arroz grosso para pintar suas faces e pescoço de branco. Elas também desenhavam pequenos lábios vermelhos sobre suas linhas labiais naturais.*É dessa época a maquiagem de Geisha que conhecemos hoje!

Em uma moda que parece muito esquisita para o gosto moderno, a japonesas aristocratas desta época raspavam suas sobrancelhas e  então, pintavam novas sobrancelhas com efeito enevoado no alto da testa, próximas a linha onde começa o cabelo. *É esquisito para a gente, mas raspar as sobrancelhas era um costume comum na renascença!

Elas conseguiam este efeito ao mergulhar o polegar em pó negro, e depois borrando-os em suas testas.

Outra característica que não acharíamos nada atraente agora era o costume de dentes negros. Por esbranquiçarem a pele, os dentes em sua coloração natural pareciam amarelados.

Por isso, as mulheres da Era Heian pintavam seus dentes de preto. Dente negros supostamente eram mais atraentes que os amarelos, além de combinar com os cabelos negros.

* Eu conversei com a Lia uma vez e ela me contou que no Japão é feio mostrar os dentes, pode ser que venha daí esse costume.

Pilhas de Seda

O aspecto final da beleza da Era Heian eram as várias camadas de robes de seda.

Este estilo de vestimenta era chamado ni-hito, ou doze camadas, mas algumas mulheres da alta classe usavam até 40 camadas de seda.

Japanese court beauties like Iwai Shijaku wore up to 12 layers of silk robes, and shaved their eyebrows. Library of Congress Prints and Photos Collection

A camada mais perto do corpo era geralmente branca, às vezes vermelha. Esta peça era um robe na altura do calcanhar chamado kosode; visível apenas na linha do pescoço.

A seguir vinha o nagabakama, uma saia partida que era amarrada na cintura e lembrava calças vermelhas. Um nagabakama formal podia incluir um cortejo (???) de mais de um pé de comprimento.

A primeira camada que podia ser vista era o hitoe, um robe colorido sem estampa. Por cima deste, as mulheres usavam entre 10 e 40 camadas de robes chamadas uchigi com lindas estampas, muitas das quais eram adornadas com brocado ou pintadas com paisagens.

A camada do topo de chamava uwagi, e era feita da mais macia e bela seda. Geralmente possuía elaboradas decorações tecidas ou pintadas.

Uma peça final de seda completava o look para as classes mais altas ou ocasiões mais formais; uma espécie de avental usado na parte de trás chamado mo.

Deveria levar horas para essas nobres se aprontarem para serem vistas na corte todos os dias. Pobres das servas, que faziam uma versão simplificadas da mesma rotina antes, e depois ajudavam suas senhoras com toda a preparação necessária de uma bela japonesa da Era Heian.

Texto Original em Inglês

Mulheres Samurai – parte IV: Guerra Boshin

10 jul

A Guerra Genpei sem dúvida inspirou muitas mulheres a se juntar aos homens no fronte de batalha. Outra guerra que inspirou igualmente as japonesas foi a Guerra Boshin (1868-69) pela centralização do poder no Imperador – que ironicamente acabou com a classe samurai.

Texto original de Kallie Szczepanski

A Guerra Boshin foi outra guerra civil, entre o governantes do xogunato Tokugawa contra aqueles que queriam o retorno do poder político para o Imperador. O jovem Imperador Meiji tinha o suporte dos poderosos clãs Choshu e Satsuma, que possuíam menos tropas que o Xogum, mas armas mais modernas.

Após um longo mês de cerco, a região de Aizu se rendeu. Seus samurais foram enviados para prisões de guerra, e o domínio da região foi dividido e redistribuído entre os monarquistas.

Yamakawa Futaba, 1844-1909

Yamakawa Futaba (1844-1909), que defendeu o Castelo Tsuruga na Guerra Boshin (1868-69). via Wikipedia.

Como filha e esposa de oficiais de Aizu, Yamakawa Futaba foi treinada para lutar. Ela participou da defesa do Castelo Tsuruga contra as forças do Imperador. Quando as defesas do castelo foram quebradas, a maioria dos defensores cometeu seppuku.

Yamakawa Futaba sobreviveu, e continuou a liderar um movimento por melhorias na educação para mulheres e garotas no Japão.

Yamamoto Yaeko, 1845-1932

Yamamoto Yaeko (1845-1942), lutou como atiradora na defesa de Aizu na Guerra Boshin (1868-9). via Wikipedia

Outra samurai defensora da região de Aizu foi Yamamoto Yaeko (1845-1932). Seu pai era um instrutor de artilharia para o daimyo de Aizu, e a jovem Yaeko foi uma habilidosa atiradora.

 Após a derrota do xogunato em 1869, Yamamoto Yaeko se mudou para Kyoto para procurar o irmão, Yamamoto Kakuma. Ele foi levado como prisioneiro pelo clã Satsuma no final da guerra Boshin, e provavelmente teve um tratamento duro nas mãos destes.

Yaeko logo se converteu ao Cristianismo e casou-se com um pastor. Ela viveu até uma idade avançada e ajudou na fundação da Universidade Doshisha, uma escola Cristã em Kyoto.

Nakano Takeko, 1847-1868

Nakano Takeko (1847-1868), líder do corpo feminino de guerreiras durante a Guerra Boshin(1868-69). via Wikipedia.

A Terceira Defensora de Aizu foi Nakano Takeko (1847-1868), filha de outro oficial de Aizu. Ela treinou artes marciais, e trabalhou como instrutora até o fim da adolescência.

Durante a Batalha de Aizu, Nakano Takeko liderou um corpo de samurais mulheres contra as forças do Imperador, ela lutou com uma naginata, a arma tradicional das guerreiras japonesas.

Takeko estava liderando um assalto contra as tropas imperiais quando levou uma bala no peito. Sabendo que iria morrer, a guerreira de 21 anos ordenou que sua irmã Yuko que cortasse sua cabeça e a salvasse do inimigo. Yuko fez o que foi lhe pedido, e a cabeça de Nakano Takeko foi enterrada embaixo de uma árvore no Templo Hokaiji.

A Restauração Meiji de 1868 que resultou no triunfo do Imperador na Guerra Boshin marcou o fim da era samurai. Mesmo assim, no fim, mulheres samurai como Nakano Takeko lutaram, ganharam e morreram tão bravamente quanto seus companheiros de luta.

Luna Lee

9 jul

Oi pessoal!

Esse domingo eu estava muito marota fuçando no facebook do IdeaFixa, quando me deparei com uma versão coreana  e feminina de Jimi Hendrix!

Luna Lee toca o Gayageum (ou Kayagum) de forma inusitada de uma forma que preenche a alma e o espírito. É impressionante como o instrumento coreano foi bem adaptado as músicas ocidentais e modernas de forma tão natural.

Para quem não sabe (ou não pesquisou na wikipedia) o Gayageum é um instrumento tradicional coreano de 12 cordas pertencente a família das cítaras.  Hoje se fazem gayageum de 21 cordas (como o de Luna). No oriente existem muitos instrumentos similares como o koto japonês (tocado pelas Geishas) e o guzheng da China.

Num resumo bem básico do que eu li sobre o instrumento, ele vem da Era dos Três Reinos da Coréia por volta do Século VI pelo Rei Gashil – que mandou um músico chamado Wu Ruk compor uma música num antigo instrumento chinês. Durante a Dinastia Shilla,  Wu Ruk desenvolveu o instrumento chamado Gayageum.

Clique aqui se você quer saber mais sobre cítaras e harpas.

E para finalizar a segunda música que eu mais gostei tocada pela Luna (a primeira foi Voodoo Chile): Mary had a little lamb!