Parte 2: à vontade

26 maio

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Parece piada, mas não é. Juro. É só curioso.

Trade preguiçosa de domingo aqui na vizinhança das casas com quintal, isoladas do tempo, do espaço e da cidade. O livro é bom, muito bom, mas eu quase não consigo prestar atenção. A alergia torna difícil respirar, e eu fico meio zonza. A mãe abriu todas as janelas para o ar entrar, talvez ajude, talvez não.

E com o canto dos olhos vermelhos e irritados, eu vi entrar pela janela do meu quarto um vulto rápido, meio sem cor por causa da velocidade. Foi direto para a sala de estar.

“Mãe! É o passarinho de novo!”

Um joão-de-barro, como da outra vez. Não sei se era o mesmo. Não temos tanta intimidade pra conhecer as marcas pessoais um do outro. A mãe correu para a área de serviço enquanto enquanto telefonava pra a farmácia pra saber o preço do anti-histamínico.

Não sei se era o mesmo. Mas ele parecia muito mais à vontade. Como boa visita educada, se acomodou no sofá da sala e me esperou vir recebê-lo. Eu não estava tão surpresa. Ele já não era um estranho. Cheguei com a vassoura na mão, pois nós dois sabíamos que seria uma visita de cortesia, coisa rápida. Sem essa de salvar um vizinho em perigo.

E ele também parecia já conhecer melhor a geografia da casa. Tipo um convidado mais habituado e sem cerimônia. Subiu de novo. Deu uma volta elegante no teto da sala, voou por cima da minha cabeça e pela porta da cozinha, e assim que viu a janela, passou por ela rápido como uma flecha. Dessa vez não havia o vidro cruel para barrá-lo. Eu disse que era coisa rápida.

Chegou com estilo. Ficou pouco tempo. E foi embora com classe. Nunca vi bons modos assim.

A mãe ainda estava meio assustada. “Já foi?”.

E pensar que sou eu que costumo me esconder das visitas. Elas não costumam ser agradáveis assim.

Olhei pela janela da cozinha, pra me certificar de que o meu convidado saiu sem sobressaltos. Da outra vez foi tão tumultuado. No gramado, encostado no murinho de concreto, o gato gordo me dava um olhar ranzinza. Estava dormindo no meu lado do muro fazia horas. Também é frequentador do meu quintal e apreciador da minha grama e do meu sol, mas não me dá lá muita confiança. Desculpe, meu senhor. Amigos fazem bagunça quando se veem. Não foi nossa intenção te acordar.

Meus olhos continuam ardendo. Ainda é difícil respirar. E os passarinhos continuam cantando lá fora porque domingo é dia de baderna. Obrigada pela visita. Muito gentil da sua parte.

Nick

PS: Mila e Raphael, espero que dessa vez eu não tenha partido o coração de vocês.

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3 Respostas to “Parte 2: à vontade”

  1. milamargarina maio 26, 2013 às 11:08 pm #

    hahahahanão partiu não, foi super fofo^^=-

  2. Lisley maio 27, 2013 às 2:39 am #

    Só passando para saber se está tudo certo com as minhas vizinhas. http://gyazo.com/9962376abaa9ac4b4e7747eb7bd7d796.png

    • nicholle maio 27, 2013 às 4:39 am #

      Hahahahaha! Que lindo!

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